Semana da Cultura Nordestina - Samba de Roda

“Minha sereia é rainha do mar

Minha sereia é rainha do mar

O canto dela faz admirar

O canto dela faz admirar

Minha sereia é a moça bonita

Minha sereia é a moça bonita

Nas ondas do mar aonde ela habita

Nas ondas do mar aonde ela habita

Ai, tem dó de ver o meu penar

Ai, tem dó de ver o meu penar”

*Música Rainha do Mar, Composição: Dorival Caymmi.


Imagem: Projeto Rodar

A expressão cultural homenageada hoje é o Samba de Roda! Trata-se de uma manifestação que evolve música, dança, poética e festividades, surgida na Bahia, especialmente no Recôncavo, no século XVII, embora seus primeiros registros datem de 1860. É representado por uma reunião, fixada no calendário festivo tradicional, ou não - simplesmente pela diversão, de um grupo ou grupos de pessoas para a performance de um repertório de música e dança.


Trata-se de uma variante do samba com raízes africanas relacionado à roda de capoeira, e aos orixás, mas inclui também algumas características musicais de origem portuguesa, a exemplo, a utilização de alguns instrumentos, como a viola, assim como, as letras das músicas, que são cantadas em português.

Imagem: Projeto Rodar

O samba de Roda se caracteriza pela disposição dos participantes em círculo ou formato aproximado, donde o nome samba de roda e a presença possível de instrumentos musicais membranofones, o pandeiro; idiofones, o prato-e-faca; e cordofones, a viola. Os músicos ficam juntos fazendo parte do círculo. Os presentes participam do acompanhamento musical com palmas, segundo certos padrões. Chamamos atenção ainda, para uma das principais características do samba de roda: Normalmente, são as mulheres que dançam na

roda enquanto os homens batem palma, cantam e tocam os instrumentos. Tendo como variantes o samba chula, o samba corrido e a umbigada. Inclusive estudos apontam que o samba carioca foi inspirado no samba de roda da Bahia.


Esse tipo de samba brasileiro deriva-se de um estilo musical africano, o semba, que foi trazido para o Brasil com a chegada dos povos escravizados angolanos, especificamente no Recôncavo baiano, visto que essa região foi o cenário da chegada destes povos. Nesta região, é celebrado um dos maiores festivais e samba de roda do país: Festival de Samba de Roda do Recôncavo, que acontece na cidade de Cachoeira; também conhecido pelo FéSamba, o Festival de Samba de Roda de Cachoeira consiste na apresentação de diversos grupos de samba de roda, onde nos é oportunizado o contato com a amplitude do universo do samba de roda.

Imagem: IPAC

Importante destacar o reconhecimento do samba de roda:

* Em 2003, o samba de roda foi incluso no Livro de Registro as Formas de Expressão.

* 2005, a manifestação cultural, passou a ser Patrimônio Imaterial da Humanidade, tendo sido considerado Obra-Prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade pela Unesco.

* Assim como, em 2013, recebeu a titulação de Patrimônio Cultural do Brasil, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).


Nossa homenagem do Samba de Roda vai para o Grupo Ganhadeiras de Itapoã.


Imagem: Correio

Grupo cultural que remonta à época em que o bairro de Itapoã, era uma mera vila de pescadores e que se tornou um verdadeiro símbolo da região, ao lado dos ícones Dorival Caymmi e Vinicius de Moraes. O grupo nasceu “a partir de encontros musicais realizados entre moradores, empenhados no resgate de tradições do passado e pela preservação da memória cultural do bairro de itapuã” .


O termo “ganhadeiras” advém dos grupos mulheres negras – escravizadas ou libertas – que circulavam pelas ruas da cidade ofertando doces, quitutes, frutas, dentre outros produtos e

serviços. Enquanto escravizadas, as ganhadeiras conseguiam autorização dos seus senhores para comercializar seus produtos e eram obrigadas a lhes dar uma parte do que vendiam, utilizando o que lhes restava, para gastos no dia a dia ou para comprar a liberdade. As ganhadeiras libertas, lutavam pela sobrevivência de suas famílias e eram mestres em comercializar, estabelecendo-se como importante classe trabalhadora nos centros urbanos.


Desde sua formação em 2004, o grupo As Ganhadeiras de Itapoã, vem sendo reconhecido por diferentes setores da cultura brasileira, como a seguir: * Prêmio Culturas Populares – Mestre Duda 100 Anos de Frevo, concedido pelo Ministério da Cultura, * Na 26ª edição do Prêmio da Música Popular Brasileira na categoria Melhor Grupo e Melhor Álbum Regional em cerimônia realizada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. * No carnaval do Rio de Janeiro em 2020, o grupo foi homenageado pela escola de samba, Viradouro, campeã deste ano.


Ouça a canção Festa, com participação de Maragareth Menezes: https://soundcloud.com/coaxodosapo/festa-na-aldeia Visite o site oficial do grupo para saber mais e adquira o disco As Ganhadeiras de Itapuã: http://ganhadeirasdeitapua.blogspot.com.br/ Link: https://www.letras.mus.br/as-ganhadeiras-de-itapua/conto-de-areia/

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